segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Contos e Crônicas

5:37 AM. Estou escrevendo alguns contos e crônicas, irei postá-los de vez em quando, se der vontade. Abaixo, um dos que comecei a escrever. Divirta-se. (Se puder)

Era um dia cinzento, gélido. Eu havia cansado de tudo; dos mesmos rostos pelas esquinas, dos assuntos e das notícias, das inúmeras relações de hipocrisia. Como um vento que dá e passa, a tarde foi perdida... em meio a tantas devagações e pensamentos, eu joguei um pouco das minhas memórias na mala. Eu tranquei a mala. A iluminação do quarto era deveras fraca, eu mal conseguia guiar-me dentro daquelas quatro paredes, e somada à garrafa de vinho da cabeceira, eu já não podia enxergar mais nada a minha frente... porque não há luz, quando se está no fundo do poço. Desloquei, angustiado, a cortina do quarto, apertei os olhos e foquei no fim da rua: não vinha ninguém. Um emaranhado de sentimentos se apossou da minha alma, o transtorno me dominou, me fez arremessar um artefato contra o espelho, que se fragmentou em múltiplos cacos. Interrompi a histeria, mas ela jurou voltar novamente. Inclinei-me ao chão e fiquei observando cada pedaço quebrado, eles refletiam a rara luz do ambiente, a propagavam em várias direções até que, de repente, um dos raios luminosos atingiu em cheio os meus olhos. E como uma lâmpada que se acende, surgiu um desejo inapagável em minha mente. Levantei e fui me vestir, trajando luto, saí daquela propriedade rumo ao indefinido, ao sedutor, ao tempo, a você... [...]

- Música: Melt - Siouxsie & The Banshees

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