quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Solidão Platônica

Dói viver, nada sou que valha ser. Tardo-me porque penso e tudo rui. Tento saber, porque tentar é ser. Longe de isto ser tudo, tudo flui. Mágoa que, indiferente, faz viver. Névoa que, diferente, em tudo influi. O exílio nada do que fui sequer. Ilude, fixa, dá, faz ou possui. Assim, noturno, a áreas indecisas. O prelúdio perdido traz à mente... O que das ilhas mortas foi só brisas[...] Não durmo, jazo, cadáver acordado, sentindo... E o meu sentimento é um pensamento vazio. Passam por mim, transtornadas, coisas que me sucederam. Todas aquelas de quê me arrependo e me culpo. Passam por mim, transtornadas, coisas que me não sucederam. Todas aquelas de quê me arrependo e me culpo. Passam por mim, transtornadas, coisas que não são nada, e até dessas me arrependo, me culpo, e não durmo. Fito a parede fronteira do quarto como se fosse o universo. Lá fora há o silêncio dessa coisa toda. Um grande silêncio apavorante noutra ocasião qualquer. Noutra ocasião qualquer em que eu pudesse sentir. Sou uma sensação sem pessoa correspondente. Uma abstração de auto consciência, salvo o necessário para sentir consciência, salvo -- sei lá salvo o quê... E as longínquas profundidades do poço, que tantas vezes, pálido, evoquei; com a raiva de amar em alvoroço. Inevoadas hoje, diante de mim estão.
(A seguir, uma poesia minha.)

Outrora, eis uma demasiada felicidade
Que por acaso do destino, ou não
Foi dilapidada e está a sete palmos
Abaixo do chão

As memórias estão se perdendo
Tão fácil quanto meus relacionamentos
Canso de ser a figura, implacável
Preciso de você para minha vida, ser durável

Ardes no inferno... o fogo está quente?
A recíproca falsa, decapita até meu ascendente
Mas não tente desvendar, minha alma calada
Há uma paixão platônica
Há uma vida ameaçada, destrutiva, mal-amada

Afrodite, minha deusa maldita
Teu súdito lhe odeia, de forma excepcional
Vou cravar uma foice em sua aljava
Vou assistir ao seu martírio, do camarote sepulcral

Do meu sorriso debochado, escorrerá veneno
Do meu olhar impetuoso, uma ressalva agonizante
E do desejo sórdido; o beijo de paixão e ódio.

- Música: Tainted Love - Marilyn Manson

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