sábado, 21 de fevereiro de 2009

Retratos

Madrugada. Diante de uma insônia desgraçada, resolvi ver minhas fotos de outrora. A cada página virada do álbum; uma nova emoção. À minha porta, bateu a saudade, e meu cérebro recepcionou-a prontamente. É incrível como alguns minutos são capazes de resgatar anos e anos de felicidade e progresso. Injeções de ânimo como essa são de suma importância, principalmente, numa época em que o coração não sabe se acelera, ou se pára de vez...

Oh baby we'll do whatever you like.

All the leaves are brown
And the sky is gray
I've been for a walk
On a winter's day
I'd be safe and warm
If I was in L.A.
California dreaming
On such a winter's day
Stopped into a church
I passed along the way
Well, I got down on my knees
(Got down on my knees)
And I pretend to pray
(I pretend to pray)
You know the preacher likes the cold
(Preacher likes the cold)
He knows I'm gonna stay
(Knows I'm gonna stay)
California dreaming
On such a winter's day.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Matando Robôs

O verso indomável, meu condutor
Sob próprio platonismo, num luto sedutor
O vento cortava-me o cérebro pelo caminho
Eu quero você, comigo sob o lençol de linho
Matando robôs, matando robôs

Girando nos calcanhares, eu avistava robôs
Eles me atacavam com olhares de repúdio
Mal sabiam que aquilo transbordava-me em satisfação
Matando robôs, matando robôs
O líder obsoleto veio me destruir, queria se impôr
O medo jamais abateu meu espírito contraversor
Debochando do próprio ódio e pudor
Eu disparei palavras contra o invasor
Matando robôs, matando robôs
Tentando compreender o quê era dito
Houve um curto circuito no robô maldito
Nenhum outro maquinário ousou se aproximar
Porque a carga sobre um, é suficiente para à todos eliminar.
Matando robôs, matando robôs
Matando robôs... Um dia o sistema cái!
Abaixo, Vossa Santidade: o Papa. Num momento de despojo, entre uma missa e outra.


domingo, 15 de fevereiro de 2009

O Borrão Vermelho

Na cadência de meus passos vazios, avistei ao longe, num borrão vermelho, a paixão que eu tanto quero dedicar. Mediante um tempo implacável e lento, não havia quem me fizesse crer que as coisas acontecem naturalmente, num descarte ao desejo e a obsessão. Horas à finco, busquei desesperadamente uma silhueta pelas ruas, forcei e forjei tantas situações e fatos, sacrifiquei desnecessariamente meu futuro, tudo por tentativas angustiantes, de acertar o alvo visado pelo meu arco. Os meses primaveris me sufocaram a cada segundo, um cigarro era aceso a cada possível encontro, um copo era virado a cada música que tocava, uma raiva era liberada a cada passo indesejável, um sorriso era dado a cada troca de olhares, uma emoção se apoderava de mim a cada procura da outra parte, um corpo ardia como fogo, alastrando suas labaredas no outro a cada minunciosa aproximação, física e mental.
As tempestades de verão vieram.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

O Fim da Guerra


Os corpos exaustos da batalha, abandonam-se ao último suspiro. O ruído angustiante das armas, que são arremessadas ao lado dos corpos incandescentes, desfazem a mente, diluem a alma que se esvai num rio. À beira do fim, dissipasse a essência contida em mil anos de silêncio, em meio ao silêncio. No horizonte o dia quer despontar, mas o tempo, aliado da noite, suspende-se para prolongar este momento em que o fogo se impõe a água. No silêncio agitado, escutasse as almas. A Lua, preenche o céu imenso, apagando lentamente o brilho de uma estrela. Revi o desejo e queimei de uma só vez. Tranquei punhados de cinza, de uma sexta-feira 13, último dia de um verão... no inventário da memória. Hoje, não se escuta nada, apenas o som do coração que bate, a um ritmo quase parado.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

A Velha Estrada

Aquela velha estrada volta sempre a minha mente
a euforia daquele momento, inusitado e eloqüente
O tempo está correndo, mas dane-se
Eu não me lamento

Descarto o inútil, trago essa sensação
Bebo desse cálice de loucura
Piso oscilando por esse chão

O espírito de insanidade, veio pra ficar
Goste ou não, esse mundo vai parar de girar
Há algo de inexplicável
Existem coisas sem razão

Vou contigo pro inferno,
mas não vou pra lá em vão...

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Leitura Astrológica

Abaixo uma das descrições mais bem feitas que eu já li, a respeito do meu campo astrológico.

Serpente, no horóscopo chinês. Geminiano, ascendente em Leão."Esta é uma excelente combinação e pode dar pessoas realmente excepcionais; líderes natos, ambiciosos, atraentes e ótimos oradores. Rápido e enérgico, parece estar bem com todos, mas, na verdade, não está mesmo bem com ninguém. Tende a se afastar das responsabilidades, e seus piores inimigos são a rotina e o tédio. Adora viajar e mudar de ambiente. Essas criaturas idealizam as pessoas, as situações e fazem amigos com muita facilidade, porém só ficam ao lado de quem admiram. Não gostam de limites e quando são privados de alcançarem seus objetivos, a vitalidade leonina destrói o obstáculo. Impetuosos, muitas vezes seus interesses são passageiros, pois acham tudo extremamente estimulante. Os pontos fracos em seu organismo são os pulmões, os braços, as mãos e os ombros, onde descarregam suas ansiedades. Por vezes ficam convencidos e arrogantes. Gostam que seus esforços sejam reconhecidos e geralmente progridem com incentivos construtivos (e não com críticas negativas, que podem estimular a rebeldia). Procuram atingir qualidade e excelência. Nasceram para ocupar uma posição de superioridade, são auto-suficientes, confiantes e não se preocupam com a opinião alheia. São calorosos e sensuais, com a tendência de se tornarem possessivos e conseqüentemente ciumentos. São amantes à moda antiga; românticos e nunca desistem de uma conquista. Querem ser tratados como realeza e quando a glória não se apresenta da forma esperada, tendem a se retirar com raiva. Geralmente esperam algo em troca: querem a adoração e a lealdade das pessoas. Possuem percepção imediatista, excelente poder de expressão e análise, melancólico, sedutor, intuitivo, perfeccionista, vingativo, provocante, sensível, individualista, misterioso, teimoso, sarcástico, perspicaz, sensual.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Fato Consumado

As coisas são simples. E é inserida nesta simplicidade que está a complexidade de tudo. Não me permito aceitar a frase: "Quem tem um sonho não dança.", porque ela faz parte do infinito hall de supostas verdades, que não passam de uma ilusão extremamente agradável e confortante as mentes humanas. No meio do caminho não há uma pedra, há uma cadeia montanhosa que não é impossível de ser transposta, claro que não, entretanto, estabele inúmeros sacrifícios, perdas, custos, abandonos. Quem acredita nem sempre alcança, veridicamente, quase nunca. O negativismo e todas as vertentes que o seguem, não são, lamento informar, uma prova rudimentar de inferioridade, pois são apenas fatos consumados da vida, que após séries cansáveis de frustrações, são aderidos à realidade. O procedimento básico, otimista, às vezes cansa, sabe? Daí surge aquela frase deveras derrotista: "Tem gente que está pior que você.", ora por favor, eu não quero, não devo e não irei me nivelar por baixo. Isso é tudo.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

O Barco

Num momento de angústia, compús isso:

O tempo está esvaindo-se
Você olha pro relógio; não vai dar tempo
Sim, não vai dar tempo

Guarde teus medos, ponha-se de pé
afeite-se num instante
Corra o mais rápido que puder
O barco pode não lhe esperar

Jogue suas memórias na mala
Algum dia a saudade pode lhe ajudar
Acenda depressa tua vela; é escuridão
E não tens ninguém para lhe iluminar

O tempo está esvaindo-se
Você olha pro relógio; não vai dar tempo
Sim, não vai dar tempo

Passos de agonia pela rua
Sua mente vai entrar em colapso
Você já não sabe onde está

Mas não te demores, o barco partirá

A experiência não vai lhe ajudar
Aquele olhar pode fazer o barco afundar
Com o tempo seu mundo pode acabar
Haverá tempo para você se salvar?
O tempo está esvaindo-se
Você olha pro relógio; não vai dar tempo
Sim, não vai dar tempo...

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Provocação Sexual

Ante a suave embriaguez alcoólica
Tu deixa-se bolinar em êxtase
Com a lucidez tão perdida
Que ignora totalmente o tempo.

E enquanto seu corpo é transtornado
Ele implora prazer e o cérebro ordena
A dança dos músculos enlouquecidos
Que intumescem a razão e umedecem os lábios ansiosos.

Inebriados os amantes no ato intensificam a cena
É quando arranhões e mordidas se repetem
Num frenesi ofego e áspero da paixão crescente
E num diálogo de arrulhos eloqüentes que invade o peito.

A seiva flui desde o início inundando
Você busca e explora enquanto acaricia
E seu imenso desejo explode em naturalismo
Até que o sêmen esguiche.

O sono que adorna os corpos suados
Embala o desejo saciado
Que se esconde até que outra vontade o desperte.

Ousadia Verídica

"Eu sou uma putinha. Daquelas mais insuportáveis, da pior espécie; uma sacana do 16ème, o melhor bairro de Paris, e me visto melhor que a sua mulher ou a sua mãe. Se você trabalha num lugar metido, ou é vendedora numa boutique de luxo, com toda certeza gostaria que eu morresse; eu, e todas as minhas iguais. Mas a gente não mata a galinha dos ovos de ouro. De forma que minha espécie irá perdurar e proliferar..."

"Amor, isto é tudo o que a gente encontrou para alienar a depressão pós-cópula, para justificar a fornificação, para consolidar o orgasmo. Ele é a quintessência do Belo, do Bem, do Verdadeiro, que remodela a sua cara escrota, que sublima a sua existência mesquinha. Bom, eu, eu o rejeito. Pratico e louvo o hedonismo mundano, ele me poupa." - Citações do livro: Hell, Paris-75016 -Lolita Pille.

A Máscara

Augusto dos Anjos - A um mascarado

Rasga esta máscara ótima de seda
E atira-a à arca ancestral dos palimpsestos...
É noite, e, à noite, a escândalos e incestos
É natural que o instinto humano acenda!
Sem que te arranquem da garganta queda
A interjeição danada dos protestos,
Hás de engolir, igual a um porco, os restos
Duma comida horrivelmente azeda!
A sucessão de hebdômadas medonhas
Reduzirá os mundos que tu sonhas
Ao microcosmos do ovo primitivo...
E tu mesmo, após a árdua e atra refrega,
Terá somente uma vontade cega
E uma tendência obscura de ser vivo!