domingo, 15 de março de 2009

Baile de Máscaras

[Mentes em sofrimento.] À beira do precipício imparcial da verdade, ou sob a ponta desafiadora da espada da mentira, prossegue o baile de máscaras. Em noite insólita, a música embala os corpos ilesos, abafa a dor que corrói as almas, ilude, engana, disfarça a problemática interior, que anda gritando em seus corações, numa súplica de amor e terror; ao abandono das máscaras. Mentes em sofrimento. A luz do salão se enfraquece, seres precipitam-se em alta velocidade, às mais variadas direções, num clamor exasperado a realização e ao desejo, já tão desnorteados e ainda mascarados, que perdem-se na cadência de seus passos vazios. Mentes em sofrimento. Entre tantos encontros e desencontros, por ventura ou desventura, as máscaras escorregam lentamente, deveras despercebidas pela pouca claridade, e aturdidas cruelmente pelas músicas que tocam ao fundo. Os corpos dançam simulando certezas, com movimentos graciosos que tentam calar a impulsividade contida, movem-se pra lá e pra cá, mas ainda assim, tão mascarados que os pés parecem não pisar o chão. Mentes em sofrimento. De repente, em meio à olhares furtivos e sorrisos maliciosos; a música pára, os movimentos cessam, uma máscara partida, um corpo caído. Alguém sucumbiu ao baile de máscaras. Gradativamente, os presentes começaram a se dispersar, cada qual ainda munido de sua máscara, entretanto, sem que se dessem conta, todas elas estavam rachadas, e aparentavam não poder resistir por mais muito tempo. Mentes em sofrimento.

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