domingo, 5 de abril de 2009

259

Hoje é o dia do (meu) amor. [Esquadrinhando a escuridão, desvia-se dos obstáculos invisíveis, titubeando por atitudes insanas, a alma fere-se numa complexa rosa vermelha.] À emergência do desfecho, as correntes do desejo e da angústia aprisionam. A cela é pequena e fria. Este, definitivamente, não é o lugar para um rei, ainda que ele jamais tenha tido o poder total investido pela coroa. Esquecido pela glória e traído pela conspiração dos nobres, o rei ainda não curvou-se à mortalidade da forca. Vossa Majestade está doente e deveras magro, frente ao fato, os ardilosos e experientes neurônios fazem o possível para recuperá-lo. As tentativas estão sendo frustradas incessantemente, pois o coração e o cérebro, aparentam não poder resistir por mais muito tempo à eminência de invasão do reino. Lá fora, há um exército homicida de sentimentos, posto à ordem da realeza ameaçada, que por ironia ou não, ainda desconhece o real teor da guerra. As badaladas de um velho sino anunciam a meia noite, o exército, à mando do rei aprisionado em seu próprio castelo, marcha imperiosamente pelos campos escuros, além da forte muralha. De repente, à procura do inimigo algoz, as tropas deparam-se com uma bela rosa vermelha abandonada no chão. O exército evaporou. A muralha caiu. A nobreza sumiu. As correntes cederam. O rei abrigou a rosa no castelo. Hoje é o dia do meu amor (próprio).

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