domingo, 18 de julho de 2010

Busca

O problema de achar é que cessa a busca; e se mantém sólido até que se perca de novo. Inevitável como a tendência da matéria organizada à entropia, e da mesma forma, sempre se perde algo. Inexorável, fato consumado. Varia o intervalo de tempo: encontra-se o que buscava, sobe o muro e observa o resto do mundo se degladiar e se deglutir sobre si mesmo tentando alcançar-te. Te divertirá a vulgaridade do homem comum buscando o patamar superior em redundâncias, ingênuo ao fato de que procurar redundâncias é o que os prende ao chão, enraiza seus pés ao solo podre do mesquinho.
Mas percebe que do seu muro alto dá pra ver distante, como se sempre quis deixar de ser míope, e a realidade inteira te parece nova. Vê, a sua análise foi despedaçada em idéias toscas e pueris, quase à ponto de te ser vergonhoso - ou engraçado. Porque seu foco mudou; tu enxergas longe agora. Tu enxergas através, ao redor, entre e à frente, agora. Enxergas vultos de idéias que nunca sequer cogitou existirem e sua razão brilha, ofusca sua glória de domar-te a si mesmo.
Agora, você se perdeu. Estás perdido um andar acima ao de antes, mas ainda perdido. Porque agora você se sente sol entre as minúsculas formas que tentam domar o teu muro, a tua luz; mas ainda se sente uma mera estrela frente à tua própria grandeza.
Crie o novo, transforme o novo, seja o meu novo...

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