quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

The End

Deus, pai de infinita bondade e inteligência suprema, diga-me quantas pedras atirei em tua cruz. Sou pecador, tu sabes melhor que ninguém os meus deslizes e acertos, mas por quê me abandonastes? Esse ano que chega ao fim foi um dos piores da minha vida. Perdi meu coração, e receio estar perdendo também a cabeça. Deito em minha cama todas as noites, como se estivesse deitando em meu leito de morte, pois não valeu a pena ter vivido este ano, ou melhor, sobrevivido. A temporada das bruxas e tempestades não passa, creio estar próximo do ápice da minha derrota. Ao que tudo indica minhas preces não servem de nada, as orações em que suplico o auxílio divino parecem me conduzir a lugar nenhum. Estou caminhando com passos incertos sobre a tênue linha entre o amor e o ódio, por vezes imagino as nuvens e ouço cantos angelicais, mas o que prevalece é a podridão interior e o fogo do inferno. As luzes parecem borradas, os carros passam por mim em alta velocidade... dê-me um sinal para que eu me jogue na frente de um deles e acabe de vez com essa agonia. Palavras pesadas, sentimentos amargurados, ações perturbadas, fatos e evidências que caracterizam o ano mais vazio de minha existência. Em meu peito bate um coração, a um ritmo quase parado, bombeando para todo o corpo a maldita frase "Eu te amo", mas isso vai acabar, e sinto que será de uma forma catastrófica. Deus, se você é amor, interceda por mim no que lhe peço todas as noites, caso contrário, eu o rejeito.

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